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Qual é a relação entre inflação e investimento? Você pode responder que o primeiro diminui seu poder de compra e a rentabilidade das aplicações financeiras. Portanto, é preciso buscar um retorno maior. No entanto, existe um grande percentual de pessoas que foca somente a remuneração, quando, na verdade, há outros detalhes.

Como fazer a escolha correta do investimento mais adequado para o momento da economia? Como otimizar seu retorno com essa decisão? Essas são perguntas que vamos responder neste artigo. Então, que tal entender melhor o assunto?

O conceito de inflação — e sua relação com os investimentos

Os jornais falam sempre sobre a economia e se os preços subiram ou apresentaram queda em determinado período. No noticiário, o termo inflação é bastante comum. O que ele significa?

De forma simples, é o aumento do preço de produtos e serviços, aplicado com o passar do tempo. Por isso, representa a perda de valor do dinheiro com o passar do tempo.

Para ficar mais simples, basta pensar em tudo que era possível adquirir com R$10 em 2000 e no que pode ser feito com o mesmo montante em 2019. É bem provável que você perceba que, antes, conseguia comprar mais com essa quantia.

Outro exemplo simples é ver o aumento do valor da cesta básica com o passar dos anos. No ano 2000, ele era de R$141,43, conforme notícia da época da Folha de S. Paulo. Em junho de 2019, segundo o Dieese, chegava a R$501,68 na cidade de São Paulo.

Ainda não ficou claro? Vamos fazer outra comparação. O tempo de trabalho médio para pagar a cesta básica em junho de 2019 foi equivalente a 96 horas e 57 minutos. Isso porque o salário mínimo é de R$998.

Em 2018, o salário mínimo era de R$954, mas o tempo de trabalho exigido para pagar os mesmos produtos era de 89 horas e 56 minutos. Ou seja, ganhando menos, você precisava trabalhar menos para ter acesso à cesta básica.

Isso acontece porque a inflação é o processo de aumento dos preços e, assim, você vê o seu poder de compra diminuir. Por isso, os investimentos precisam apresentar um ganho real, ou seja, acima dessa variação.

O maior impacto da inflação na economia brasileira

O impacto da inflação no cotidiano de uma pessoa foi bem perceptível nos anos 1980. Se você passou pela época — ou tem alguma lembrança —, deve lembrar que toda vez que chegava a um estabelecimento, havia alguém com uma máquina de remarcação de preços.

Na prática, isso fazia com que, por exemplo, o papel higiênico custasse mais de 20 mil cruzeiros e mudasse de preço várias vezes ao dia. Hoje, você encontra o mesmo produto por R$5 ou até menos.

Devido a essas mudanças constantes , as pessoas recebiam seus salários e faziam um rancho — isto é, compras para o mês inteiro —, a fim de economizar. Em 1993, o cenário mudou.

De 1993 até 30 de junho de 1994, o Brasil conviveu com duas moedas:

A partir de 1º de julho de 1994, foi criada uma nova moeda: o real, que começou com a paridade de 2.750,00 cruzeiros, valor da URV no dia, para cada R$ 1.

A inflação foi controlada e, a partir disso, tornou-se mais barato comprar produtos e serviços. Hoje, a inflação ainda é um índice relevante para a economia. Ela é medida todos os meses para saber como está o desempenho do País e direcionar até mesmo a definição das taxas de juros aplicadas.

Assim, inflação e investimento têm uma relação direta. Como a taxa Selic é modificada pelo Banco Central para manter o controle dos preços, os rendimentos das aplicações financeiras, geralmente, tendem a acompanhar a tendência definida pelo Bacen.

Além disso, existem investimentos indexados pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que se tornou o medidor oficial da inflação no País. Outro fator de impacto é referente à rentabilidade.

Nos investimentos atrelados à inflação, quanto maior ela for, menor tende a ser o retorno dos investimentos. Por exemplo, o Certificado de Depósito Bancário (CDB), geralmente, varia de acordo com a Selic. Assim, mais que calcular o rendimento pela taxa básica de juros, você precisa descontar o IPCA para ver qual é sua rentabilidade real — esse é o índice realmente válido.

Esse é o termo que se refere ao quanto você, de fato, receberá ao final, depois de descontar a inflação e possíveis encargos, como o Imposto de Renda (IR). Somente ao considerar todos esses pontos — e verificar seu perfil de investidor — será possível fazer uma escolha acertada.

Por exemplo, se você realizou aplicações financeiras com retorno de 10% ao ano e o IPCA fechar em 4%, quase metade do seu rendimento cobre apenas a variação. Ou seja, você conseguirá comprar menos com o que teve de remuneração, porque ela ficou abaixo do esperado.

4 investimentos atrelados à inflação

A relação entre inflação e investimentos pode ser usada a seu favor. Tendo em mente o chamado ganho real, é só você buscar aplicações com remuneração atrelada ao IPCA. Elas protegem seu poder de compra e garantem uma rentabilidade sempre acima do aumento dos preços.

Essas aplicações financeiras sempre oferecem o retorno da inflação mais alguma taxa fixa. Esse segundo fator é o que garante o seu rendimento real. Tem interesse em saber quais são os investimentos que seguem essa prerrogativa? Mostramos algumas opções a seguir.

1. Tesouro Direto

O Tesouro IPCA+ é um título público de retorno híbrido e atrelado à inflação. Ele oferece um rendimento que cobre o aumento dos preços mais uma taxa fixa. Por exemplo, em consulta realizada no dia 31 de agosto de 2019, as opções disponíveis eram, com suas seguintes rentabilidades:

Perceba que, em todos os casos, o ganho efetivo é de 3,05%, 3,18%, 3,59%, 3,72% e 3,79%. É esse índice ao qual você deve ficar bem atento para conferir a remuneração real — aqui, lembre-se de descontar ainda os possíveis encargos!

2. Renda fixa privada

Os títulos privados também podem estar atrelados ao IPCA. Três principais opções são:

3. Fundos imobiliários

Os aluguéis tendem a ser corrigidos pelo Índice Geral de Preços – Mercado (IGP–M), outro indicador que mensura a inflação. A mesma coisa acontece com os fundos imobiliários, que variam de acordo com esse indicador ou com o IPCA.

Eles funcionam de maneira semelhante a um condomínio. Por isso, você adquire cotas que são administradas por um gestor especializado. Assim, a chance de alcançar um bom rendimento é maior. Além disso, existe a proteção contra a inflação devido à correção anual dos aluguéis.

O processo ocorre da seguinte forma: sempre que um contrato completa um ano, ele é revisado de forma automática. O valor é ajustado de acordo com o IGP–M. Assim, o locatário paga mais para morar no mesmo local. Você, como investidor, tem seu capital protegido justamente por conta desse reajuste. Outra vantagem dos fundos imobiliários é a isenção de IR no pagamento dos rendimentos.

4. Fundos de inflação

São aqueles com investimento apenas em papéis que superam ou equivalem os rendimentos do Tesouro IPCA+, com ou sem juros semestrais. Em outras palavras, o gestor só aplica nesse tipo de título ou semelhantes.

O rendimento é medido pelo Índice de Mercado ANBIMA (IMA). O rendimento tem uma parte vinculada à inflação (IMA-B) e outra pré-fixada, que garante o ganho real. Ainda há duas divisões:

Por suas características, o IMA-B representa o rendimento dos títulos do Tesouro IPCA+ e deve ser consultado para conhecer a remuneração.

Inflação e investimento: 3 dicas essenciais

As aplicações financeiras apresentadas são alternativas interessantes, mas ainda é preciso analisar outros fatores antes de decidir quais opções são as melhores. Para ajudar nessa missão, listamos 3 dicas. Acompanhe!

1. Compare o rendimento do investimento e da inflação

Seu perfil de investidor pode ser conservador, moderado ou arrojado. Em qualquer um dos casos, a inflação tem a possibilidade de ajudar seus investimentos. Compare as taxas cobradas em cada uma das aplicações e veja a remuneração oferecida.

Se o investimento estiver atrelado ao IPCA, veja a taxa fixa aplicada e faça o desconto de possíveis encargos, como IR, taxa de corretagem etc. Somente com essa comparação é possível fazer a escolha mais adequada.

Nesse cálculo, por exemplo, você pode descobrir que uma LCI com retorno de 2% mais IPCA é mais rentável que um CDB com rendimento de 3,5%. Nesse exemplo, o motivo seria a isenção de IR.

2. Saiba o que fazer quando a inflação estiver alta

Nesse cenário, é preciso ter um cuidado extra para proteger seu poder de compra. Afinal, os preços estão em constante elevação. Por isso, é bom visar ao longo prazo. Isso significa que seu capital deve permanecer investido por um tempo maior. Algumas das opções que podem ser seguras e têm essa características são o Tesouro IPCA+, o CDB, o LCI e a LCA.

No caso dos fundos imobiliários, é importante analisar o nível de vacância no País, ou seja, quantas unidades estão disponíveis para locação. Nesse investimento, você precisa pensar em mais que a inflação, porque se a unidade ficar sem locatário, não há rendimento.

Além disso, verifique se os imóveis são de qualidade e analise o histórico de remuneração do fundo, sempre com foco no longo prazo. Esses indicadores históricos sinalizam o que você pode esperar e se vale a pena aplicar seu dinheiro.

3. Entenda o que avaliar quando a inflação estiver baixa

O IPCA baixo, em princípio, é uma boa notícia para os investimentos. No entanto, é preciso analisar também a Selic. Quando a taxa básica de juros da economia diminui — como aconteceu em 2019 —, ela também reduz a rentabilidade das aplicações.

Assim, quando inflação e Selic estão em patamares reduzidos, os investimentos atrelados ao IPCA e ao Certificado de Depósito Interbancário (CDI) tendem a ser menos vantajosos. Lembre-se de que, qualquer que seja sua escolha, é importante analisar as alternativas para garantir a aplicação financeira.

Dessa forma, você aproveita ao máximo a relação entre inflação e investimento. Assim, você compara quanto deve ganhar, conforme o histórico da aplicação, com o resultado do IPCA e sabe se terá um potencial ganho real.

Entendeu? Aproveite para saber mais acessando o canal da ANBIMA no YouTube. Veja o vídeo Inflação: entenda como ela pode afetar seus investimentos.

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